Alimentos Ultraprocessados por causar vício?

O consumo de alimentos Ultraprocessados pode ativar nosso sistema de recompensa e provocar reações muito gratificantes, podendo gerar comportamentos semelhantes ao abuso de certas drogas, como um "vício alimentar".

Com a perda de controle diante da comida, consumo frequente de certos alimentos apesar se saber das consequências negativas para a saúde são considerados comportamentos alimentares semelhantes aos de dependência ou "vício em comida".

Nesse caso, as pessoas geralmente comem mais do que acham que deveriam, sentem que perdem o controle diante da comida e acreditam ser preciso comer cada vez mais certos alimentos para atenuar sentimentos negativos ou obter mais prazer, gerando um forte sofrimento diante da alimentação, como acontece em quadros de compulsão alimentar.

Considerando que as substâncias que causam dependência raramente estão em seu estado natural, mas foram alteradas de maneira a aumentar seu potencial viciante (por exemplo, folhas de coca são transformadas em cocaína e as papoulas, em ópio), algumas pesquisas consideram que algo semelhante poderia acontecer com os alimentos ultraprocessados, que passam por diversos processos industriais, em geral com adição de gorduras, açúcares, adoçantes artificiais e outros aditivos alimentares.

Em um estudo, 120 participantes completaram a Escala de Dependência Alimentar de Yale (YFAS). A própria Ashley Gearhardt, líder do estudo, desenvolveu em colaboração com outros pesquisadores a escala, usando critérios diagnósticos para dependência de substâncias do Manual de Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-IV) para quantificar sintomas de alimentação semelhante à dependência. As pessoas deveriam responder com que frequência apresentavam comportamentos de "vício em comida" a partir de afirmações como: "eu passo muito tempo me sentindo lento ou letárgico por comer demais"; "tenho problemas significativos na minha capacidade de funcionar de forma eficaz (rotina diária, trabalho/escola, atividades sociais, atividades familiares, dificuldades de saúde) por causa da alimentação"; "meu comportamento em relação à comida causa um sofrimento significativo".

Em seguida, os participantes escolheram quais alimentos (35 deles com variáveis composições nutricionais) estavam mais associados a comportamentos alimentares semelhantes aos de dependência.

Em outro estudo usando os mesmos 35 alimentos, se investigou quais atributos dos alimentos (por exemplo, gramas de gordura, carga glicêmica) estavam relacionados ao "vício em comida" e explorou a influência das diferenças individuais para esta associação.

A partir dessas pesquisas, foi observado que os alimentos ultraprocessados, com grandes quantidades de gordura e elevada carga glicêmica, foram mais propensos a apresentarem associação com comportamentos alimentares semelhantes ao de dependência.

Como os alimentos ultraprocessados hoje fazem parte da nossa alimentação em quantidades maiores do que o desejável, mas a solução pode não está na exclusão, mas pelo menos na redução.

Uma estratégia mais eficaz e que pode contribuir bastante para evitar o "vício em comida" é adotar uma alimentação variada e incluir cada vez mais alimentos frescos e caseiros. Dessa forma, é possível não só aumentar o consumo de alimentos in natura, mas diminuir, por consequência, o consumo de alimentos ultraprocessados, que devem ficar limitados a momentos ocasionais, como exceção, e não regra na alimentação.

No entanto, para isso acontecer, são necessárias não apenas ações individuais, mas também políticas, pois muitas questões que envolvem a alimentação estão imbricadas com a sociedade, as emoções, hábitos e experiências, tornando nossas escolhas alimentares fruto de diversas questões das quais muitas vezes não temos consciência.

Você, provavelmente, já escolheu um ultraprocessado no mercado sem se dar conta disso. Constantemente somos expostos a esses alimentos, que são saborosos, atraentes, práticos, baratos, abundantes, mas pouco benéficos para a nossa saúde.

Assim, são necessárias medidas, como taxar bebidas e alimentos ultraprocessados, limitar a publicidade de alimentos (principalmente daqueles direcionados para crianças) e, ao mesmo tempo, incentivar a produção e o consumo de alimentos in natura.

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